Diários de Bicicleta é uma síntese do livro com o mesmo nome, escrito por David Byrne ao longo dos últimos anos. Num estilo despojado que passeia entre ensaio, relato de viagens, diário pessoal e albúns de fotografia, David Byrne registra também suas reflexões sobre uma variedade de assuntos. O livro foi publicado no Brasil pela editora Amarilys.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Bicicletas são utilizadas pelo Google para o serviço Street View

Funcionário do Google pedala triciclo em Paris com equipamento que grava imagens para o serviço Google Street View .

Facebook
Nos últimos meses, a rede de relacionamentos passou a considerar a maior parte das informações sobre usuários como automaticamente pública, e alguns dados pessoais passaram a ser fornecidos a outros sites.
"Tanto Google como Facebook fizeram uma contribuição não solicitada à causa das organizações que defendem a privacidade", disse Jeff Chester, do Center for Digital Democracy.
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Preocupação do Evento - Pedalar com Segurança em NY

David Byrne*
O tempo passa; há reuniões com agentes municipais e com Yves Behar e a Fuseproject, sua empresa de design. Em uma parte do evento, Yves e seu sócio Josh vão apresentar um novo tipo de capacete ciclístico moderno, algo que pessoas não esportivas possam usar. Yves e a empresa estão intrigados pela idéia, assim como o Departamento de Saúde (dentre outros órgãos oficiais).
O que do Departamento de Saúde e ciclistas tem a ver? Bom, ter seu celebro espalhado pelo asfalto não é nada saudável. O Departamento de Saúde fez distribuição de preservativos em Nova York, planejada pela Fuseproject, e eles colocaram suportes com preservativos grátis em clubes, restaurantes e bares pela cidade (instalados perto dos banheiros, eu imagino). Então há uma relação pré-estabelecida aqui.
Se houvesse fundos (privados) eles adorariam fazer distribuição maciça de capacetres, ou até de bicicletas – mas essa é uma idéia para o futuro.
O protótipo do capacete da Fuseproject consiste em uma dura casca de proteção que pode ser colocada dentro de vários tipo de capa - uma capa quente de lã com protetores de ouvido para invernos frios, uma capa de malha porosa para os dias quentes de verão. Uma ideia muito digita-tecnológica, capas variáveis. A proposta é que fabricantes terceirizados, grifes, marcas de artigos esportivos ou qualquer um que queira uma nova plataforma de propaganda - possam depois desenvolver suas próprias capas e vendê-las ou patrociná-las. O design permite que quem vai para o trabalho também possa prender a casca na bicicleta e guardar a capa - a única parte que toca a pele da pessoa - discretamente em uma maleta ou bolsa de mão.
Por mais que isso seja bom, eu pessoalmente sinto que capacetes podem ser um passo provisório na direção da integração urbana do ciclismo. Embora eles sejam uma boa ideia, o uso de capacete sugere que andar de bicicleta é perigoso, o que, hoje , em cidades com Nova York,e Londres, geralmente é , mesmo. Mas em outras como Amsterdam, Copenhague (foto - blue line), Berlim, as ciclovias e rotas são tão seguras que os ciclistas não sentem a necessidade de se proteger. Os ciclistas nestes lugares - crianças, jovens criativos, homens de negócios, idosos - também tendem a pedalar com postura elegante; bem vestidos, e até sexie.
É uma atitude diferente da abordagem de guerra da cidade de Nova York.
(Nt. Em Salvador , no rio e em São Paulo nem falar)
* David Byrne é mundialmente conhecido por seu trabalho como músico à frente do Talking Heads, cult dos anos 80. Byrne foi também responsável por distribuir internacionalmente nomes da world music como Tom Zé, Os Mutantes e Margareth Menezes. Nascido em Dumbarton, na Escócia, frequentou o Rhode Island School of Desing. Atualmente vive em Nova York

terça-feira, 18 de maio de 2010

Apoiando a Bicicleta nas cidades

David Byrne*
Parte da minha motivação pessoal para fazer este evento é questionar se o engajamento civil, propostas de melhorias, discussões e ações podem ser combinados com sucesso à arte e ao entretenimento – se cultura humor e política podem misturar-se e se tentar fazer da nossa cidade um lugar melhor para viver pode ser divertido. Essa idéia é, para mim, quase tão importante quanto toda essa luta em defesa do ciclismo. Se a luta for chata, então esqueça.
* David Byrne é músico, fotógrafo e escritor. Mora em NY desde os anos 80

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Imaginando um evento sobre ciclismo em New York

David Byrne*
Há mais nova-iorquinos andando de bicicleta do que nunca. E não apenas entregadores. É significativo que, aparentemente, muitos jovens modernos não vejam mais o ato de andar de bicicleta como algo totalmente “démodé”, o que sem dúvida era o caso quando começei a pedalar pó aí, no final dos anos 70 e começo dos anos 80. Sinto que podemos estar nos aproximando do ponto de virada, para invocar um termo agora clichê. Os nova-iorquinos estão em um estágio em que podem, se tiverem a chance e a oportunidade, considerar uma bicicleta como um meio válido de transporte – se não para eles mesmos, então ao menos irão admitir que seja um meio válido de transportes para nova-iorquinos. Eles podem até apoiar e encorajar.
Então com algum tênue otimismo, eu decido que pode ser a hora de tentar dar um empurrãozinho à idéia da bicicleta-como-meio-de-transporte, organizando algum tipo de fórum público sobre o assunto. Eu acabo gastando um ano tentando levantar do chão um evento relacionado ao ciclismo, e estou prestes a desistir quando, por meio de uma conexão com outro projeto, a revista New Yorker se oferece para patrocinar o evento no Town Hall. É o lugar ideal para algo desse tipo, tendo sido historicamente um lugar onde a pauta do dia era apresentada e debatida.
Eu imagino o evento como uma noite centrada em uma reunião, um fórum, constituído por gente comum, defensores do ciclismo e represntantes municipais dos departamentos de transportes, parques e jardins, planejamento urbano, saúde bem como o Departamento de Polícia.
* David Byrne , mora em New York. É músico, escritor e fotógrafo

domingo, 16 de maio de 2010

Nova York (II)

David Byrne*
Em uma bicicleta, estando apenas um pouquinho acima do nível de visão de um pedestre e de um carro, tem-se uma visão perfeita do que está acontecendo em sua própria cidade. Diferentemente do que acontece em muitas outras cidades americanas, aquí em Nova York quase todo mundo é obrigado a pisar numa calçada e encontrar outras pessoas pelo menos uma vez por dia - todo mundo faz pelo menos uma breve aparição pública. Eu uma vez tive de desviar para não atropelar Paris Hilton, segurando seu minúsculo cachorrinho, atravessando a rua no sinal aberto e olhando ao redor, como dissesse " Eu sou Paris Hilton, vocês não estão me reconhecendo?." Do ponto de vista de um ciclista você vê tudo isso muito bem.
Bem em frente a um teatro em Midtown um homem passa de bicicleta - uma daquelas lowrider¹. É um homem adulto, com uma aparência bastante normal, exceto pelo fato de ter um sistema de som monstruosamente grande preso à frente da bicicleta.
Eu continuo pedalando a minha e poucos minutos depois outra bicicleta com boom box passa. Desta vez é uma mulher, estilo leitora-de-Jane-Austen-que-veste-sapatos-confortáveis. Ela está em uma bicicleta comum, mas, mais uma vez, com um boom box (menor) preso à traseira.... Não consigo identificar a música.

Arquétipos de cidade

Há uma revista na prateleira da entrada do restaurante paquistanês onde eu costumo almoçar, chamada InvAsian: Um diário para os culturalmente ambivalentes.
O que existe em certas cidade e lugares que incentiva atitudes específicas? Sou eu que estou imaginando que isso existe? Até onde a infraestrutura das cidades molda as vidas, o trabalho e as emoções de seus habitantes? Muito significativamente, eu imagino. Toda essa conversa sobre ciclovias, prédios feios e densidade populacional não envolve apenas essas coisas, trata-se também do tipo de gente em que essas coisas nos trasformam. Eu não acho que seja imaginação minha que as pessoas que  se mudam de qualquer lugar para Los Angels inevitalvelmente perdem as características do ambiente de onde vieram e acabam criando trabalhos tipo-LA e sendo pessoas tipo-LA. As atitudes criativas, sociais e cívicas dependem do ambiente de onde vivemos? Sim eu acredito nisso. Como isso acontece? É algo que se infiltra sorrateiramente através da pressão dos amigos e de conversas casuais? É a água, aluz,o clima? Há uma sensibilidade de Detroit? Menphis? Nova Orleans(Sem dúvida.) Austin? (Certamente.) Nashville? Londres? Berlin? ( Eu diria que há um senso de humor berlinense, com certeza.) Düsseldorf? Viena (Sim.) Paris? Osaka? Melbourne? Salvador? Bahia? (Com certeza).

¹N.T.: Bicicletas baixas, com pneus menores e mais largos. A posição de pilotagem se assemelha à das motos estilo Harley Davidson
* David Byrne, é músico, fotógrafo e escritor. Reside em New York desde a década de 80.

sábado, 15 de maio de 2010

Nova York ( I )

David Byrne*
Pedalo quase todos os dias aquí em Nova York. Está ficando mais seguro fazer isso, mas tenho que ficar bem alerta quando faço isso nas ruas em vez de na nova ciclovia do Rio Hudson ou outras rotas mais protegidas. A cidade criou muitas ciclovias nos últimos anos, e agora afirmam que há mais delas aquí do que em qualquer outra cidade dos Estados Unidos. Porém, infelizmente, a maioria delas não é segura o bastante para que alguém se sinta realmente tranquilo, como é possível na quase finalizada ciclovia ao longo do Hudson ou em muitas cidades europeias. Isso está mudando, aos poucos. À medida que novas ciclovias são feitas, algumas delas são mais seguras, construídas entre a calçada e os carros estacionados ou protegidos por uma barreira de concreto.
Entre 2007 e 2008 o tráfego de bicicletas em Nova York cresceu 35%. Difícil dizer quem causa o que aquí - se ter mais ciclovias inspirou um maior uso de bicicletas ou se foi o contrário. Fico feliz em suspeitar que, pelo menos até o momento, tanto o Departamento de Transportes como os ciclistas de Nova York estejam na mesma sintonia. Quanto mais jovens criativos passam a residir no Brooklyn, mais aumenta o número de suas bicicletas cruzando as pontes. O tráfego de bicicletas na Ponte de Manhattan quase quadruplicou ano passado (2008) e o da Ponte de Williamsburg triplicou. E esses números vão continuar a crescer, já que a cidade continua a fazer melhorias em suas ciclovias e a criar bicicletários e outras facilidades. Neste sentido a cidade está, de certo modo, se adiantando em relação a algo que vai acontecer em um futuro próximo - muito mais pessoas vão usar bicicletas para ir ao trabalho ou para se divertir.
* David Byrne é músico, fotógrafo e escritor. Nasceu na Grã Bretanha e mora em Nova York

sexta-feira, 14 de maio de 2010

New York / Introdução

David Byrne*

Introdução

" A bicicleta é o meio de transporte mais utilizado no mundo"

 Venho usando uma bicicleta como meu principal meio de transporte em Nova York desde o início dos anos 80. Comecei aos poucos e me sentí muito bem, mesmo aquí nesta cidade. Passei a me sentir mais livre e bem disposto. Eu tinha uma bicicleta velha de três marchas que ganhei quando era pequeno nos subúrbios de Baltimore, e para as ruas de Nova York, isso já é mais do que suficiente.
Naquela época, minha vida era mais ou menos restrita ao centro de Manhattan - East Village e Soho- e logo ví que pedalar era uma forma muito fácil de se locomover pela cidade durante o dia ou ir a boates, exposições de arte ou lugares badalados à noite sem precisar recorre a um táxi ou à estação de metrô mais próxima. Eu sei, noitadas e ciclismo podem parecer uma mistura incomum, mas há tantas coisas para se ver e ouvir em Nova York que acabei descobrindo que pedalar era uma forma bastante rápida e eficiente de se ir um lugar a outro. E continuei pedalando, apesar do perigo e de toda a aura nem um pouco descolada, já que muito poucas pessoas andavam de bicicleta na época. Os motoristas não sabiam dividir as ruas com ciclistas e você acabava sendo fechado ou espremido contra os outros carros estacionados mais ainda do que hoje em dia. Quando fiquei um pouco mais velho, acho que sentí também o quanto pedalar era uma boa maneira de se fazer algum exercício mas nem havia pensado nisso quando comecei. Eu apenas gostava de andar pelas ruas sujas e esburacadas da cidade. Era fantástico.
No final dos anos 80, descobrí as bicicletas dobráveis e, conforme o meu trabalho e a minha curiosidade me levavam para os mais diversos cantos do mundo, costumava levá-las comigo. A mesma sensação de liberdade que experimentei em Nova York me acompanhou enquanto pedalava por várias das maiores capitais do mundo. Eu me sentia mais ligado à vida nas ruas do que jamais seria possível se estivesse dentro de um carro ou de algum tipo de transporte público. Podia parar onde bem quisesse; a bicicleta era muitas vezes (muitas vezes mesmo) mais rápida do que um carro ou táxi para ir do ponto A ao ponto B; e eu não precisava seguir nenhum caminho predeterminado. A mesma empolgação voltava a cada cidade sempre que eu sentia a brisa e a agitação das ruas passando à minha volta. Para mim , isso era viciante."
(pg. 13 e 14)
* David Byrne é músico, fotógrafo e escritor. Publicou em 2009 o livro " Diários de Bicicletas", relatando suas aventuras e impressões de pedalar por diversas das maiores cidade do mundo, com sua bicicleta dobrável, que leva consigo em quase todas as viagens pelo Mundo (click e ouça David Byrne)

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Berlim

David Byrne*
 Aquí as bicicletas são práticas. Elas são geralmente pretas, com apenas algumas poucas marchas, paralamas, e muitas vezes um cesto - coisa que nenhum ciclista esportivo jamais sonharia em acoplar à sua mountain bike nos EUA. Na Holanda , eles vão ainda mais longe e instalam carrinhos especiais para levar os filhos ou compras e até para-brisas (!) para proteger as crianças. Mas claro, pedalar pelas ruas de Nova York com seus constantes buracos, lombadas e recapeamentos mal-feitos, é mesmo algo mais próximo de um esporte radical do que andar de bicicleta por aquí (em Berlim), onde, por algum motivo, a maioria das ruas é lisa como um tapete e não tem obstáculos, apesar dos invernos rigorosos. Hmmmm. Como eles conseguem fazer isso? Ou melhor, como o país mais rico do mundo não consegue fazer isso?
Alguns podem até dizer que ao construir ruas perfeitas, os alemães também eliminaram os obstáculos psicológicos de suas vidas cotidianas.
Se as ruas de Nova York são mais insanas e descontroladas então estas aquí são ruas que tomaram Prozac - civilizadas -, embora um pouco menos emplogantes. Mas por que nós nos EUA deveríamos ser forçados a andar por " ruas empolgantes?"
Já passei por Berlim várias vezes ao longo dos anos. Na primeira no fim dos anos 70, Berlim me parecia um lugar exótico e empolgante, um ícone da Guerra Fria. Eu me lembro de ter cruzado o bem vigiado corredor que ia de Berlim a Hamburgo - que na época nós víamos como um corredor polonês que atravessa parte da Alemanha Oriental - e depois passar pelo posto de checagem Charlie, o portão controlado pelos EUA no Muro de Berlim, com suas famosas histórias e propagandas mostrando tentativas desesperadas e fracassadas de fugas do leste. Ao mesmo tempo, havia também um quê de decadência evidenciado pelos vários bares punk e discotecas da Berlim Ocidental. Você sempre se lembrava de que estava confinado ali, um prisioneiro em uma ilha de luxúria, cultura e prazer - bem no meio da monotonia, sisudez e idealismo do leste. a cidade era provocadora, uma tentação. Imagino que devia ser mais divertido e um pouco insano morar por lá por causa disso..."
"Por ser quase totalmente plana, a cidade era, e ainda é, um lugar perfeito para se andar de bicicleta, embora os invernos possam ser bem gelados com os fortes ventos que sopram do norte. Berlim tem um ótimo festival de cinema que muitas vezes exibia filmes da Alemanha Oriental e de outros países cuja produção cinematográfica não era conhecida no Ocidente.
Atualmente Berlim é vista como o centro cultural da Europa. Bom, ao menos por alguns.
Berlim é linda no verão. Pela manhã , tento ir passear em Tiergarten, o enorme parque central da cidade e no zoológico, que ficou famoso com o nascimento de um pequeno urso polar em 2007.
Em um dos antigos centros - pré segunda guerra, Postdaner Olatz, gigantescos edifícios de grandes corporações com Sony, Daymler Mercedes, Siemens e outras têm seus novos arranha-céus de aço e vidro na região. Alí perto , o novo centro do governo, trazido de Bonn para cá, também está tentando achar seu espaço. Um terminal ferroviário foi construído para a Copa do Mundo e, para isso, o rio foi desviado e depois canalizado de volta, funcionando hoje como uma moderna hidrovia no centro da cidade, onde turistas de todo o mundo se maravilham com as transformaçõse recentes na nova Berlim. Esse tipo de desenvolvimento não é nada orgânico; trata-se de um planejamento de uma cidade em uma escala gigantesca.
È um experimento colossal que suscita a seguinte pergunta: " Seria possível criar um centro urbano (espetacular) do zero?"
Passeio com minha bicicleta ´por Mitte, onde galerias e os cafés estão sendo atropelados por butiques de luxo, como aconteceu no SoHo em Nova York.
*David Byrne , Cantor, fotógrafo e escitor.
Diários de Bicicleta - Ed. Amarilys (pg(60) - Berlim

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pedalando em Buenos Aires

David Byrne*
" Buenos Aires: A Paris do hemisfério sul, dizem alguns - graças às suas largas avenidas, cafés e vida noturna agitada. A Avenida 9 de Julio é a mais larga do mundo, então tome essa, Barão Haussmann! Não fosse pelo obelisco cravado no meio dessa avenida, daria para pousar um 747 bem no centro da cidade.
Buenos Aires fica o bastante ao sul para não se enquadrar na zona temperada, o que diferencia esta cidade, assim como Santiago no Chile, do outro lado dos Andes, de seus vizinhos mais ao norte. Existem enormes diferenças psicológicas também - os argentinos costumam se enxergar como um povo europeu e, por consequência, mais sofisticados do que seus vizinhos brasileiros. Naturalmente , aham, os músicos e outros artistas não compartilham desta postura esnobe, mas isso é algo que pode ser notado na arquitetura, culinária e até nas vestimentas.
Embora a Argentina e o sul do Brasil tenham sido colonizados por sucessivas ondas de imigrantes italianos e alemães, entre outros, os argentinos preferem negar a existência de elementos africanos em sua cultura...."
"...Graças ao clima temperado e às suas ruas mais ou menos organizadas, Buenos Aires é ótima para se pedalar. Apesar disso, daria para contar nos dedos de uma só mão o número de moradores locais que andam de bicicleta. Por quê? Estaria eu destinado a encontrar mais uma vez o motivo por trás dessa ausência de ciclistas? Haveria mais alguma obscura explicação secreta esperando por mim? Será que eu sou ingênuo assim? Teria algo a ver com o fato de o trânsito ser tão caótico, os roubos tão frequentes, a gasolina tão barata e o carro um símbolo tão forte de status? Será que é mesmo tão careta andar de bicicleta aquí a ponto de até os carteiros procurarem outros meios de locomoção?
Acredito que não seja por nenhum destes motivos. Acho que a ideia de usar uma bicicleta simplesmente não é cogitada por aqui. O meme do ciclismo ainda não foi inserido na cultura, ou talvez nunca tenha se firmado. Tendo a concordar com Jared Diamond em seu livro Colapso, em que afirma que as pessoas desenvolveram afinidades culturais com certos alimentos, meios de locomoção, roupas e costumes que se tornaram tão arraigados a ponto de, segundo ele, fazer com que as pessoas insistam nesses hábitos mesmo que isso signifique a extinção delas mesmas ou até de toda uma civilização."
* Músico, fotógrafo e escritor

Diários de Bicicleta - Prefácio

Se ele fosse Emerson, convidaria você para viver nos bosques. Se fosse Thoreau, para a desobediência civil.
Que tal? David Byrne o convida para dar umas voltas de bicicleta e mostra como isso se transforma num ato de consciência, numa centelha que pode passar do individual para o coletivo e dar ao planeta mais vida, alento e respeito. O título Diários de Bicicleta , remete a seu predecessor, Diários de Motocicleta (título com o qual o livro foi lançado nos Estados Unidos) , viagem de Che Guevarra pela America Latina. Façam ligações , diferenciações , estabeleçam pontes entre a situação de um guerrilheiro latino e um guerrilheiro cicclista " - Tom Zé

Ao conhecer novos lugares (ou o próprio lugar onde vive) sobre duas rodas, David Byrne percebeu ser possível ampliar a percepção dos ritmos e dinâmicas características de uma cidade, de sua geografia e de seus habitantes,e passou então a registrar em um diário suas observações e descobertas sobre as metrópoles por anda passava.
Diários de Bicicleta é a reunião de vários escritos do autor ao longo dos últimos anos - de Berlim a Buenos Aires, de Istambul a São Paulo, de Manila a Nova York, entre outras. Num estilo despojado que passeia entre ensaio, relato de viagens, diário pessoal e album de fotos, David Byrne registra também suas reflexões sobre uma variedade de assuntos: política, filosofia, música, planejamento urbano, moda, arquitetura local, diferenças culturais, sexualidade, entre outros, sempre com uma mistura muito particular de humildade, curiosidade e bom humor.

domingo, 9 de maio de 2010

Diários de Bicicleta

Desde o início dos anos 80, David Byrne tem usado a bicicleta como principal forma de locomoção em Nova York, cidade onde vive. Quando viaja ou sai em turnê, ele sempre leva consigo uma bicicleta dobrável. A princípio, tal decisão foi tomada por mera conveniência. No entanto, quanto mais cidades visitava, mais o músico se tornava adepto desse meio de transporte.
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David Byrne, nasceu em 14 de maio de 1952, Dumbarton, Escócia, Reino Unido. É um músico, compositor e produtor musical, famoso por ter fundado a banda Talking Heads, em 1974, um dos grupos precursores do new wave e worldbeat. Já foi premiados com diversos Grammys. Por seu trabalho como compositor de trilhas sonoras, já recebeu o Óscar e o Golden Globe. Como membro do Talking Heads, Byrne foi incluído no Rock and Roll Hall of Fame.
Byrne além de músico também é fotógrafo e escritor, seu último livro publicado no Brasil é o "Diários de Bicicleta" (Bicycle Diaries), pelo Selo Amarilys da Editora Manole.
Desde 2007, participa do projeto Brighton Port Authority (ou The BPA), com um grupo formado por diversos músicos britânicos encabeçado por Norman Cook, mais conhecido como Fatboy Slim, com quem em 2010, Byrne lançou o álbum Here Lies Love, co-produzido por Cook.

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